| Os países de língua portuguesa são Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor Leste, com uma população total de mais de 200 milhões de habitantes, constituindo um mercado com potencialidades de desenvolvimento. Embora Portugal seja um país pequeno com menos de 10 milhões de habitantes, importa salientar a grande facilidade de entrar, através de Portugal, no Mercado da União Europeia onde existem 370 milhões de consumidores, bem como os custos operacionais em Portugal que são quase os mais baixos entre os países membros da União Europeia. O Brasil é um dos 10 maiores blocos económicos do Mundo, sendo integrado no Mercado Comum da América do Sul, que é uma zona franca com acréscimos acelerados e uma população de 200 milhões de habitantes, bem como um acesso fácil através do Brasil. Angola e Moçambique pertencem à União do Sul da África, enquanto Guiné-Bissau e Cabo Verde situam-se no Oeste da África, e o São Tomé e Príncipe na Zona Central, todos sendo países em via de desenvolvimento. Para esses mercados, os produtos industriais da China têm uma grande competitividade, pelo que vale a pena considerar a exportação de equipamentos mecânicos e trabalhadores especializados.
Devido aos factores linguísticos, culturais e humanos, Macau tem estabelecido amplas ligações com os países supracitados através de diferentes canais, sendo um elemento fundamental a realização anual na RAEM da Conferência Comercial Internacional dos Países de Língua Portuguesa.
Este Instituto tem celebrado vários acordos de cooperação com as entidades congéneres e associações comerciais do Brasil e de Moçambique, sendo entidades congéneres Associação Comercial de Portugal em Macau, Portuguese Business Centre in Asia, Associação Comercial Internacional para os Mercados Lusófonos, Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa, delegações locais da Portuguese Business Association e do ICEP, etc.
As vantagens de Macau, como uma ponte intermediária de economia e comércio entre a China Continental e os países de língua portuguesa, evidenciam-se em que a Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) adopta um enquadramento jurídico e administrativo semelhante ao do Continente Europeu, de modo a facilitar uma aproximação dos Mercados de Língua Portuguesa ao Mercado da China Continental. Tanto a língua chinesa como a portuguesa são línguas oficiais de Macau, e o ensino da língua portuguesa, bem como os respectivos cursos, são bastante generalizados, estando disponíveis jornais, revistas e estações de rádio e televisão em língua portuguesa, o que contribui para um amplo uso da língua na RAEM. Por causa dos laços linguísticos e culturais, uma grande parte dos macaenses já viveram no Brasil, Moçambique e outros países, conhecendo de boa forma as suas culturas e costumes. Além disso, há um grande número de empresários locais que têm conhecimento a fundo dos mercados e culturas da China Continental e dos países de língua portuguesa, para além dos profissionais em direito, contabilidade, comércio, marketing, consultadoria, etc. Pelos factores apontados, Macau está em excelentes condições para participar na cooperação internacional, especialmente na promoção dos laços económicos e comerciais entre a China Continental e os países de língua portuguesa.
No sentido de promover a cooperação económica e comercial e o desenvolvimento em conjunto para a R. P. China e os países de língua portuguesa, elevando o estatuto internacional de Macau, o Governo Central da R.P.China tomou iniciativa de organizar pela primeira vez o “Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Macau)”, de natureza não política e com tema de cooperação económica e desenvolvimento, que foi realizado em Macau em Outubro de 2003, sendo realizado de 3 em 3 anos, cabendo ao Governo da RAEM a entidade executante. Os países membros do 1o Fórum são a China, Portugal, Brasil, Moçambique, Cabo Verde, Angola, Guiné-Bissau e Timor Leste. Durante a Conferência Ministerial realizada no Fórum, o vice-ministro do Comércio da China, An Min e ministros dos países participantes da Angola, Brasil, Cabo Verde, Timor Leste, Guiné Bissau, Moçambique e Portugal assinaram o Plano de Acção. Este Plano de Acção para a Cooperação Económica e Comercial visa o reforço do intercâmbio e promoção do investimento entre a China e os Países de Língua Portuguesa, que cobrem diversas áreas tais como cooperação inter-governamentais, de investimento e empresarial, comércio, agricultura e pesca, construção e infraestruturas, recursos naturais e humanos. |